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Apresentação

Carlos Drummond de Andrade sonhava com a criação de um museu de literatura para a preservação da tradição escrita brasileira (1), sonho que se tornou realidade com a instalação do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, em dezembro de 1972, na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, que hoje abriga os arquivos de importantes escritores, como Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Pedro Nava e Vinicius de Moraes.

O próprio Drummond contribuiu intensamente para a construção e preservação de sua memória literária. Gostava de contar que tinha a mania do arquivo no sangue. Conservava publicações suas e de terceiros, além de notícias sobre sua obra, que recortava de jornais ou recebia de amigos escritores.

O poeta catalogava ensaios e artigos publicados em livros e periódicos, registrava-os em fichas que ele preenchia de próprio punho, com clara organização bibliográfica, tendo formado um relevante arquivo que documentou a recepção crítica de sua obra. A primeira ficha data de 1926, e os registros se estenderam até 1985. As pastas com os recortes e as respectivas fichas estão preservadas no Arquivo-Museu de Literatura Brasileira.

O mesmo cuidado Drummond dedicava à edição de sua obra. Em um trabalho de artesão, participava de todo o processo de construção: cuidava da apresentação; acrescentava um subtítulo explicativo, às vezes pitoresco; escolhia as capas, elaboradas por Santa Rosa, Ziraldo e Niemeyer, dentre outros. Não se contentava com as edições tradicionais, criou poemas inspirados em obras de arte, escreveu ou sugeriu poemas para catálogos e edições de arte, em estreita sintonia com importantes pintores, ilustradores, fotógrafos e editores da época, como Candido Portinari, Milton Dacosta, Carlos Leão, Maureen Bisilliat e José Mindlin; enfim, participava com entusiasmo e conhecimento da elaboração de um livro, como extensão de seu amor pelas palavras.

E hoje, como catalogar as referências que Drummond pacientemente lançava em suas fichas? Como rastrear sua produção literária nas edições comuns ou especiais e nas antologias; como conhecer o Drummond prefaciador, o Drummond tradutor? Exceto em relação às crônicas publicadas em jornais, que somam mais de 6.000, digitalizadas pelo Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, como manter atualizadas e reunidas essas referências?

A divulgação de estudos e artigos e o aparecimento contínuo de novas edições de seus livros, atestando a importância perene do poeta e cronista, têm estimulado a produção de levantamentos e inventários da bibliografia de e sobre sua obra. Todavia, editadas em formato convencional, essas publicações não têm como se manter atualizadas.

Os portais de bibliotecas de universidades, de fundações e de outras instituições oferecem valiosa contribuição à pesquisa bibliográfica; entretanto, por apresentarem dados restritos a seus acervos, fornecem uma visão apenas parcial da obra e da fortuna crítica drummondiana.

Além disso, as novas tecnologias e a internet ampliaram infinitamente as pesquisas e a rapidez de acesso às novidades. Se, por um lado, há o e-book, o ensaio e a tese em formato eletrônico, por outro, tornou-se complexa a tarefa de inventariar a bibliografia de e sobre Drummond.

Este site pretende resgatar, simbolicamente, os antigos registros de Carlos Drummond de Andrade e inserir as novas referências de e sobre o autor, unindo-os em um arquivo de pesquisa virtual - uma reunião bibliográfica.

O banco de dados contém as referências do que se publicou e se publica de e sobre o poeta e cronista, no intuito de manter atualizado o leitor drummondiano e fornecer subsídios para pesquisas de estudiosos e da coletividade.

Como a reunião e a organização da bibliografia envolvem ações contínuas de pesquisa e classificação dos dados, será um site em permanente atualização.

A Busca se fará de maneira ampla ou dirigida, de acordo com o objetivo da pesquisa. Estão disponíveis duas categorias: a) as obras do autor; b) as obras sobre Drummond, a saber: livros, artigos de jornais e revistas, ensaios, monografias, dissertações, teses, resenhas, catálogos, folhetos, anais de congressos, etc; publicados - na sua grande maioria - em formato convencional.

Em Links, estão relacionadas bibliotecas, fundações e demais instituições, como também indicados sites e portais onde se pode encontrar vasto material concernente à recepção crítica e à obra do autor.

Em Catalogação, estão relacionadas todas as referências por ordem alfabética de autor.

Este site se propõe a acompanhar a evolução da produção literária de Drummond, focalizando as diversas edições que se atualizaram através das décadas, sob o enfoque de diferentes editoras, e registrar sua participação em edições de arte. Pretende também destacar o olhar dos críticos, intelectuais, amigos e admiradores - seus contemporâneos e os atuais - pistas das leituras plurais de sua obra. A intenção é de apenas indicá-las.

Os visitantes que quiserem seguir os rastros terão, com certeza, encontros reveladores com o poeta e cronista Carlos Drummond de Andrade, testemunha sensível da história cultural e literária brasileira do século XX.

                                                                                     Myriam Goulart de Oliveira
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1
ANDRADE, Carlos Drummond de. Em São Clemente, 134. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 jan. 1973.

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